quinta-feira, 6 de março de 2008

Geração Havaianas


Foi-se o tempo em que os chinelos havaianas, ainda na versão azul e branco eram sinônimo de falta de dinheiro, bom gosto ou status. Após a reestruturação de imagem da marca, os chinelos da Alpargatas, chegaram aos pés da classe média, e até quem diria, da atriz Jannifer Aniston. Mas não é só de pés internacionais que vivem as havaianas. Venho observando em algumas festas de que participei, como casamentos e bailes de formaturas que dentro da bolsa da grande maioria das mulheres junto com maquiagem, pente, entre outros itens femininos, estão as havaianas, e quando a música começa os sapatos elegantes são substituídos instantaneamente pelos chinelos.
Não pense que se envergonham ou se constrangem com a estranha combinação chinelo e vestido de festa, a moda conforto pegou, e aquelas que se equilibram durante toda a noite sobre o salto, agora são olhadas como pessoas estranhas, masoquistas que não se renderam à moda do menos é mais.
Seria essa uma reação jovem aos excessos da pós-modernidade? Estariam eles cansados de tanta parafernalha, tantos objetos que em sua maioria só geram desconforto, individualismo, solidão e angústia?
Chegamos ao século XX com todas as certezas abaladas, durante anos quisemos mais. Mais tecnologia, mais rapidez, mais eficiência, mais variedade, mais dinheiro, mais sapatos, mais roupas, mais acessórios. Será que nos estufamos de tudo isso e agora queremos menos?
O novo comercial da tão usada havaianas prega isso.....diz como em poesia que queremos menos...
Eu quero menos
Menos preocupação.
Menos formalidade.
Menos nuvens no céu.
Menos roupa.
Menos encanação.
Menos se levar a sério demais.
Menos escritório.
Menos cara feia.
Menos despertador do lado da cama.
Menos falta de tempo.
Menos resolver tudo por e-mail.
Menos chapinha.
Menos distância.
Menos complicação.
Ah, eu quero menos pra mim...e quer saber? Eu desejo o mesmo pra você

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Perdão mas andei vazia


Perdão mas andei vazia.


Há dias perambulo dentro de mim, batendo em cada porta, levantando os tapetes, arrastando os móveis em busca de algo, um sentimento, uma idéia, uma palavra, uma atitude, mas nada encontrei, absolutamente nada, a casa estava vazia, talvez fechada para reforma, quem sabe simplesmente abandonada.


Mas hoje encontrei algo, tento ver de longe o que é, mas no escuro da luz cortada fica difícil. Já senti seu cheiro, sua presença, mas não identifiquei. O importante é que encontrei.


Talvez seja um pedaço de dor, talvez um pedaço de amor, quem sabe até alguma raiva, esperança, ou uma palavra que resolveu se esconder sabendo que algum dia seria necessária, quando todas as outras tivessem se esvaído, ou quando a dona dessa casa já tivesse desistido de usá-las e num ímpeto houvesse as jogado ralo abaixo.


Tomei o pedaço de coisa alguma, reguei e agora ela parece se tornar um pedaço de alguma coisa. Mais uma vez acendi as luzes, abri as portas e as janelas, assumi quem não sou tentando encontrar quem sou, com o eterno medo de me tornar inconscientemente quem não quero ser.


Limpei a casa, pintei as paredes.


Voltei ok? O importante é que voltei.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Desabafo


Acorda que o despertador tocou, levanta e deixa aí teus sonhos, esquece deles assim como esquece os lençóis desarrumados, pensa neles apenas como pensa no teu colchão ao longo do dia, com desejo de estar lá, e melancolia de saber não poder.


Coloca tua roupa, teu uniforme, tua fantasia, esta que te iguala a tantos outros e te diferencia de ti, que te faz, no correr do relógio, esquecer quem era no começo.


Calça teus sapatos, esses que te levarão a lugar nenhum, ou a algum lugar tão distante de onde queria estar.


Engole tua comida e parte porque as horas já não são tuas, elas já não te pertencem. Corre, não porque precisam de ti, mas porque és completamente substituível.


Faz, produz, passa mais um dia na inércia, finge um sorriso, um interesse.


Enche com feijão tua boca que já quer gritar, cala-te, e fecha teus olhos para o que já não agüentar ver.


Não olha para os ponteiros pois eles andarão mais devagar apenas para contrariar-te.


Ao fim do dia, volta, pega os cacos dos teus sonhos e os reconstrói, junto ao teu travesseiro, teu lençol e teu colchão, assim como reconstrói teu corpo em pedaços e tua alma em cangalhos.


Comece mais uma vez, e espere com fé o dia em que acordará para viver teu sonho, que se vestirá de verdade, que calçará teus pés de asas que te levarão ao lugar onde deseja estar.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Causos do 669-A


Existe um conhecido axioma da física chamado, Princípio da Impenetrabilidade, que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Nunca fui boa em física, por sinal, neste momento busco com afinco em minha memória o milagre que me fez passar nos exames dessa disciplina durante o colégio.

Enfim, hoje cheguei à conclusão que quem pensou nesse principio não previa a situação do transporte público em São Paulo.
A caipira que deixou a cidade de 30 mil habitantes, sem semáforo, shopping ou qualquer coisa que para os "urbanóides" parecem indispensáveis à vida, decidiu que queria ser jornalista, pegou suas trouxas, deu adeus ao seu mundinho e foi para São Paulo. Este tipo de decisão deveria ser acompanhada de uma bula, contendo indicações, contra-indicações, reações adversas, posologia, etc.

Causos do 669-A

669-A, Terminal Santo Amaro, ou como prefiro chamar, “O inferno na terra” (acreditem, não é exagero), 18:30, numa sexta-feira qualquer de 2004. Com sorte, você pode encontrar num desses momentos decisivos da vida uma pessoa que te faça rir do sofrimento, e alivie tudo aquilo que parece te matar aos poucos, uma Mari.

5 ônibus passaram no período de 60 minutos, olhávamos atônitas, tentamos por algumas vezes uma modificação corporal que nos permitisse seguir viagem em um daqueles carros.
Teletransporte não nos saia da mente.

Com o tempo se aprende que não adianta esperar, o trânsito não vai passar, o ônibus não vai esvaziar, a chuva não vai melhorar, e a rua não vai desalagar tão cedo.
Fomos no seguinte.

Nos primeiros passos percebi que meu pé já não tocava o chão, eu era levada pela massa de pessoas que se espremiam e empurravam uns aos outros tentando se acomodar. Nesse momento você já não sabe se aquele ombro é mesmo seu. Remover o pé do chão é um erro irremediável, pois o lugar desocupado pelo seu pé esquerdo será instantaneamente preenchido pelo de outra pessoa e você não encontrará outro espaço para colocar o seu, logo terá que se virar em um pé só. É importante lembrar que ônibus não foi feito para quem tem menos de 1,70m, como é meu caso, pois os braços curtos, já impossibilitados de se movimentar não alcançam as barras de apoio no teto do ônibus. Os braços compridos da Mari me salvavam nessa hora, eram minhas barras de apoio.

Como por milagre encontramos um espaço de uns 30 centímetros no último degrau da porta que não abria, lá nos esprememos. Não sei se ríamos de desespero, tristeza ou por que no fundo a situação era engraçada.

De repente o ônibus pára, ouvimos um bate boca na frente, convencida pela Mari levantei para ver o que ocorria. Não era nada demais, quatro rapazes tentaram invadir o ônibus sem pagar, o motorista corajoso (de corajoso o céu está cheio) deu partida no ônibus tentando impedir a entrada. Em resposta, os rapazes sacaram suas armas. Por sorte, o único que assassinaram foi o português, “Olha aqui motorista, sê ta achano que nóis é prayboy, se ta loco, ta achando qui ta mecheno com prayboy, nóis vamu mete tiro na sua cara”. Convencido o motorista seguiu viagem com os rapazes a bordo.

Pensamos em descer naquele ponto e seguir a pé, mas estávamos um tanto quanto longe de casa, e mesmo que optássemos por esta decisão não conseguíramos chegar à porta de saída em tempo. A Mari em um surto de desespero queria pular pela janela ou em um golpe certeiro derrubar a porta com um chute. Logo viu que seria no mínimo inviável.
Decidimos ficar, afinal após 2 horas no trânsito, tudo o que você quer é chegar em casa, o resto é fácil de superar.

No dia seguinte lá estaríamos novamente a espera do próximo causo do 669-A
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(Continua qualquer dia......afinal, 3 anos de 669-A renderam muitas histórias)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Quem ganha e quem perde no jogo do poder


Devo admitir que nunca fui das mais entusiasmadas pelos debates políticos, digo isso sem medo de parecer burra, alienada ou desinteressada. Tenho minha opinião, minhas reivindicações, meu candidato favorito; pesquiso, procuro conhecer, penso e repenso meu voto, mas este é um tema que prefiro refletir individualmente. Minha paixão é o povo, o que lhe afeta, o que lhe interessa, o que lhe falta (coisas que ao meu ver, não deixam de ser discussões políticas)

No entanto, no dia de hoje me encontrei instigada a falar (como leiga advirto) sobre algo da política brasileira. Na realidade sobre a população politicamente ativa do nosso país.
Na semana passada o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou o perfil do eleitorado brasileiro. Nosso país atingiu em 2007 a marca de 127,4 milhões de eleitores. Não sei se deveria ou não ter ficado surpresa com a estatística que segue, o fato é que fiquei mais que surpresa, fiquei assustada. Do total de eleitores do país, 51,5 %, mais da metade, não concluiu o ensino fundamental e 6,46 %, o equivalente a 8,2 milhões de eleitores, é analfabeto.

Na manhã chuvosa de ontem, mais um dado me alarmou, li na Folha que um em cada cinco jovens entre 18 e 29 anos e que vivem na zona urbana abandonou a escola antes de completar o ensino fundamental, segundo trabalho feito pela Secretaria Geral da Presidência da República com base na Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.

Penso nisso como uma fileira de dominós, fragilmente colocados, um em frente ao outro. Se um balança, todos os outros caem, num fluxo contínuo até que a última peça vá ao chão.
Ou, para continuar com o pensamento lúdico, como num tabuleiro de xadrez. Não é permitido ao peão se movimentar de maneiras diversas, ele só pode andar casa a casa na mesma direção. O principal objetivo do jogo é proteger o Rei, quando o Rei está em xeque, é obrigação do jogador tirar o rei de xeque, qualquer outra jogada, que não resulte no fim do xeque, é considerada ilegal. Há três maneiras para sair de xeque: movendo o Rei para uma casa não ameaçada; tomando a peça que ameaça o rei ou interpondo uma peça entre o Rei e a peça atacante.

Para bom entendedor um pingo é i.

Como iremos exigir voto consciente de uma população que não tem acesso ao mínimo de educação e conhecimento? Como estas pessoas terão a educação necessária se os eleitos não dão a devida atenção ao tema depois dos belos e intermináveis discursos políticos?
Mas afinal, que vantagem há em educar a população?

Vivemos em um país que delega aos jovens a responsabilidade por salvar o Brasil, mas nossos jovens não têm tempo para isso, nem para a escola. "Um mês depois de ter recuado na decisão de realizar um corte de 80% nas verbas do Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), o governo federal ainda não repassou os recursos deste ano a nenhum dos 2.206 municípios brasileiros que são atendidos pelo programa"(Folha de S. Paulo)

Pode até ser lugar comum, mas muitas vezes o comum nos foge ao alcance.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O Zé da esquina

O Zé da esquina é adjetivo para qualquer Zé, ou um Zé qualquer, alguém que todo mundo já ouviu falar mas ninguém sequer considerou se relacionar.

Mas esse Zé, o de uma das esquinas mais movimentadas da zona sul de São Paulo não é qualquer Zé, muito menos um Zé qualquer, ele é um empresário de sucesso. O Zé teve a astúcia de perceber cedo um mercado em ascensão nas grandes metrópoles. Dentre o leque de produtos que Zé vende estão: cordialidade, simpatia, alegria, amizade, bate-papo, esperança.

O leitor pode estar pensando, “Que papo furado é este”? Explico.

O Zé não tem as pernas, mas calma, não pretendo ser sensacionalista, quando se conhece o Zé este é um detalhe que passa desapercebido. O Zé anda sobre um skate de um lado para o outro na avenida República do Líbano, e pasmem, o Zé não pede dinheiro, não oferece bala, não tenta lavar seu vidro, não apela para o já conhecido “Por favor, me ajude, eu tenho filhos para criar e não posso trabalhar”. O Zé faz amigos, ele conversa de igual para igual, não se diminui, não tem autopiedade. Ele cativa com seu carisma, faz com que pessoas abaixem o vidro de seus carros, sem medo de assalto, apenas para saber deste homem que aos olhos da maioria deveria ser tão infeliz, qual o motivo do sorriso que todos os dias insiste em lhe acompanhar.

Alguns poucos passam batido, a maioria pára ou diminui a velocidade frente ao semáforo aberto para colocar a conversa em dia. Alguns, como eu, torcem para que o semáforo esteja vermelho, para poder gozar de alguns segundos a mais a companhia deste Zé, que por forte afeição ouso chamar de amigo.

- Oi linda! Ué, cadê o namorado?

- Trabalhando Zé

- Como foi o fim de semana Zé?

- Maravilhoso

- Me diz uma coisa Zé, você ta sempre felizão aí, como você consegue estar sempre tão bem?

- O pessoal acha que eu sou coitado por ficar aqui. Pô to numa boa, vejo mulher bonita o dia inteiro, conheço e converso com gente inteligente e simpática, paquero a mulherada e ainda ganho um dinheiro.
Aquele carro ali eu comprei com o dinheiro que os amigos me dão aqui, e ainda sustento meus 5 filhos

- Porra Zé, cinco?!

- Pois é né linda, não consigo me segurar quando vejo mulher bonita, cada filho é com uma mulher. E não parei ainda não!

Abre o semáforo, como no autódromo de Interlagos todos tentam assumir a primeira posição, a fim de chegar 2 minutos antes ao seu destino.

O Zé fica lá na sua esquina, com seu skate e seu sorriso.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O crime é organizado, e as políticas de segurança pública, são?


Polícia Civil cerca e ocupa o Morro da Mangueira Cemitério clandestino e muro para proteção de bandidos já foram localizados



Rio - Cerca de 280 policiais civis fazem operação no Morro da Mangueira, Zona Norte do Rio, desde o início da manhã desta terça-feira (08/01/08). Eles cercam todas as entradas e saídas e ainda ocupam a favela com o objetivo de cumprir oito mandados de prisão e apreender armas e drogas. Entre os bandidos procurados está Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha. Ele é acusado de atuar no tráfico de drogas da favela.
Houve intenso tiroteio por volta das 6h. O helicóptero da Polícia Civil sobrevoou a área. Quinze pessoas foram detidas até o momento e estão sendo levadas para a 17ª DP (São Cristóvão).
Durante a incursão, os policiais encontraram um local usado para queimar traficantes rivais. Havia também crânios e restos de ossos. Foi descoberta ainda uma fortaleza do tráfico no alto do morro. O muro, que tem cerca de 15 metros de largura e foi construído com malhas de ferro e concreto, servia de escudo aos criminosos. Segundo a Rádio CBN, uma tonelada de maconha, pronta para ser embalada, foi apreendida.
No meio da manhã, cerca de 10 homens atearam fogo em um ônibus da Viação Braso Lisboa, linha 472, na Rua São Luís Gonzaga, no Largo da Cancela, em São Cristóvão. Todos os passageiros foram retirados do coletivo antes da gasolina ser jogada. Ninguém ficou ferido. Bombeiros foram chamados e controlaram as chamas. Segundo a polícia, o ataque é uma reação de traficantes contra a operação da Polícia Civil no Morro da Mangueira.


Fonte: O Dia




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Em mais um episódio da interminável história da guerra do tráfico de drogas no Rio de Janeiro, policiais despreparados, mal pagos, mal equipados e mal informados, subiram o Morro da Mangueira na última terça-feira para cumprir 8 mandatos de prisão.

Ao ler a notícia acima alguns questionamentos me atormentaram, e me pergunto se os jornalistas que a produziram não tiveram as mesmas dúvidas ou se simplesmente preferiram ignora-las.

1º - Algum dos 15 detidos estava na lista daqueles oito mandatos de prisão, ou eram peixes pequenos, como na maioria das vezes são?

2º - O que se fez com a “fortaleza do tráfico no alto do morro. O muro, que tem cerca de 15 metros de largura e foi construído com malhas de ferro e concreto, servia de escudo aos criminosos”. Foi tomado? Destruído? Esquecido?

3º - O traficante Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, foi encontrado? Alguma pista? Algum avanço foi alcançado com esta operação?

4º e o mais importante - Qual é o real impacto deste tipo de ação para o tráfico e os traficantes de drogas na cidade?

280 policiais foram mobilizados, o helicóptero da Polícia Civil sobrevoou a área. Será que o saldo deste tipo de ação é válido?

Não pretendo aqui menosprezar o trabalho da polícia do Rio de Janeiro, nem seus resultados. A questão é, há quanto tempo ações dispersas são realizadas e acabam com o esta com quinze pessoas detidas e uma tonelada de maconha apreendida? Até quando vamos insistir em ignorar o fato de que até hoje, se formos sinceros, saberemos que nenhum grande passo foi dado no sentido de acabar com a guerra do tráfico, pelo contrário, ela se fortalece a cada dia.

Devemos tentar abandonar a hipocrisia e admitir que para esta empresa milionária que é o tráfico de drogas, uma tonelada de maconha apreendida é um pedregulho no sapato, algo que vai gerar represálias contra a população (usada de isca para aterrorizar a opinião pública, que na realidade não se importa) mas que rapidamente será superado por uma nova remessa de cocaína que instantaneamente será vendida e enriquecerá os cofres do tráfico.

E enquanto isso acontece, segue a desorganização das políticas de segurança pública e neste momento mais duas invasões estão acontecendo na Favela do Jacarezinho e no Morro do Borel. Talvez alguns sejam presos, talvez um pouco de droga seja apreendida, talvez alguns morram, mas amanhã tudo volta ao normal, as notícias de ontem não terão continuidade e amanhã as páginas estarão cheias de “novidades”.